TERCEIRA PARTE
Principais reas de pesquisa em psicologia do
desenvolvimento



Captulo 6

PERCEPO 

O Estudo da Percepo constitui-se em uma das primeiras reas importantes da Psicologia 
Experimental. No entanto, a maior parte do conhecimento que se foi acumulando no campo da 
percepo foi baseada em experimentos que utilizaram adultos como sujeitos. Divulgou-se ento, 
erroneamente, a noo de que os bebs recm-nascidos teriam muito pouco desenvolvidas as 
capacidades de percepo. 
Embora estudos mais antigos j tivessem verificado o desenvolvimento de capacidades 
surpreendentes de percepo visual no recm-nascido, como os de Chase (1937), Pratt, Nelson e 
Sun (1930), Beasley (1933), Morgan e Morgan (1944), Jones (1926), Smith (1936), estes estudos 
tiveram pouca divulgao, foram citados em livros-texto, e a noo de que o recm- nascido quase 
no enxerga nada, a no ser discriminar vaga- mente entre massas de claro escuro, foi se 
estabelecendo. Talvez a nfase monopolizadora no interesse pelo ajustamento emocional da 
criana que caracterizou as dcadas de 40 e 50, sob influncia da teoria psicanaltica, tenha 
contribudo para o pouco interesse em pesquisas sobre aspectos perceptivos e cognitivos do 
desenvolvimento do recm-nascido e da criana em geral, explicando assim a permanncia dessas 
noes. At a dcada de 1940, podemos mencionar como significantes os 
143 
seguintes estudos: Peterson e Rainey (1910) estudaram 944 recm-nascidos na primeira semana de vida e 
verificaram reaes de desconforto em reao  luz em 839 desses sujeitos. Pratt, Nelson e Sun (1930) tambm 
obtiveram 95v/o de reao, apresentando 500 estmulos luminosos por meio de uma lanterna a 24 recm-
nascidos. Beasley (1933) estudou o comportamento de seguir com os olhos um objeto e verificou muitos casos 
em que o recm-nascido foi capaz de seguir um objeto com os olhos, por 180 ao longo do campo visual, duas 
ou trs vezes para a esquerda e para a direita, incluindo um recm-nascido de dois dias de vida. Morgan e 
Morgan (1944) e Jones (1926) verificaram que o beb consegue primeiro seguir um objeto que se move em 
sentido horizontal, depois no sentido vertical e, por ltimo, no sentido circular. Em um experimento bastante 
engenhoso, Chase (1937) investigou a percepo de cores em recm-nascidos. Projetava uma rea mvel 
colorida em um fundo de outra cor. Filtros foram usados para que no houvesse diferenas em intensidade ou 
brilho das cores. Estas duas cores eram projetadas em uma tela colocada acima da cabea do beb, ficando ele 
deitado de costas. Quando os olhos do beb seguiam a rea colorida, este comportamento era considerado 
como indicao de que ele era capaz de distinguir as duas cores, isto , distinguia a cor da rea mvel e a cor 
do fundo. Foram estudados 24 bebs entre 15 e 70 dias de idade neste experimento. Estes bebs discriminaram 
corretamente 100% do tempo entre as seguintes combinaes: vermelho e verde, vermelho e amarelo 
esverdeado, vermelho e azul esverdeado, amarelo esverdeado e azul esverdeado e entre azul e verde. Eles 
discriminaram 9O/o do tempo entre verde e amarelo esverdeado. 
Smith (1936) investigou o efeito inibidor de vrias cores sobre a atividade geral e choro de bebs de 7 a 9 dias 
de idade. Verificou que as cores inibiam a atividade na seguinte ordem: azul (a que mais inibe), a seguir verde, e 
vermelho. Verificou tambm ser o azul mais eficiente do que o vermelho para inibir o choro do beb. Seria 
aconselhvel portanto, se se usar uma luz fraca noturna no quarto do beb, dar freqncia ao azul. 
Com os avanos metodolgicos permitindo maneiras mais exatas de se estudarem fenmenos perceptivos, 
vemos agora que o recm-nascido e a criana pequena tm a percepo visual, auditiva, e talvez outras 
modalidades tambm, bem mais desenvolvidas do que se pensava h alguns anos atrs. 
144 
Estas descobertas surpreendentes tm levado os psiclogos do desenvolvimento a questionar a importncia 
primordial do papel da aprendizagem no desenvolvimento da percepo, contemplando a possibilidade de que 
ao nascer a criana j possua capacidades perceptivas bem mais amadurecidas do que se pensava. A esta 
controvrsia no campo do desenvolvimento da percepo chamamos de nativismo versus empiricismo. (A 
posio que defende a idia de que ao nascer o aparelho perceptivo j esteja bastante amadurecido e que 
minimiza o papel da aprendizagem  chamada de posio nativista, e a posio que enfatiza os fatores 
ambientais e o papel da aprendizagem no desenvolvimento da percepo  chamada de posio empiricista). 
Vejamos o que existe em termos de evidncia experimental a respeito do desenvolvimento da percepo: 
1) PERCEPO AUDITIVA.  A fim de contrastar com os resultados de pesquisas recentes, iniciamos esta 
reviso com o estudo mais antigo que se conhece sobre o assunto (Preyer, 1893). Preyer estudou o 
desenvolvimento da percepo auditiva em uma criana, do nascimento at os 36 meses. Encontrou o 
seguinte: A criana era surda durante os trs primeiros dias de vida; mas j percebia sons, como os de 
bater palmas, no quarto dia;... piscava em resposta a um som, no vigsimo sexto dia; mostrava uma reao 
de susto diante de rudos fortes na quinta ou sexta semana. . . (Kidd e Kidd, 1966, em Jeffery, 1970). Alm desse 
estudo se basear em apenas uma criana, no havendo meno de ter sido replicado com outras crianas, ele 
levanta uma srie de questes: no sabemos que critrio Preyer usou para verificar se a criana reagia aos 
rudos nos trs primeiros dias de vida. Ao tomar como critrio a localizao do som atravs de movimentos de 
cabea, no se notam reaes, pois a criana ainda no tem a coordenao motora necessria para virar a 
cabea na direo do barulho, alm do que, com o reflexo tnico cervical, a cabea da criana tende a estar 
virada mais para um dos lados a maior parte do tempo, do que para o outro lado. Hoje sabemos, porm, que o 
recm-nascido pode demonstrar localizao auditiva atravs de movimentos oculares, ou atravs do reflexo 
auro-palpebral. 
Outro problema que dificulta o estudo da audio no recm-nascido  o fato de seu ouvido mdio conter um 
muco 
145 
 
gelatinoso que poderia restringir a audio. Diferenas na taxa de absoro desse muco poderiam 
explicar as diferenas individuais em capacidade auditiva do recm-nascido. 
H quem argumente que os recm-nascidos ouvem bem, na base de experimentos que tentaram 
demonstrar que estmulos auditivos podem provocar reaes de movimento no feto. No entanto, 
estes estudos so questionveis e alguns investigadores acreditam que talvez o estmulo auditivo 
provoque contraes abdominais na me e que essas contraes sejam realmente os estmulos a que 
os fetos reagem com movimento. O feto estaria assim reagindo a estmulos mecnicos e no 
auditivos. 
A evidncia de que o aparelho auditivo  capaz de funcionar j pelo stimo ou oitavo ms de 
gravidez deriva principalmente de investigaes sobre audio em crianas prematuras, estudadas 
nas primeiras semanas de vida, isto , antes de completarem nove meses aps a concepo. 
Jeffery (1970) enfatiza os avanos metodolgicos, principalmente a utilizao de equipamento para 
medir atividade eletrofisiolgica, como em grande parte responsveis por superar noes antigas 
como as de que o recm-nascido no escuta. Por exemplo, uma indicao que temos de que o beb 
escuta  o reflexo de orientao, j identificado por Pavlov. Este reflexo, que representa uma 
reao de alerta do organismo diante de um estmulo, inclui os seguintes tipos de respostas: 
1) Orientao dos rgos dos sentidos para uma melhor recepo do estmulo, acompanhada de um 
cessar de atividade e por retesamento muscular. 
2) Alteraes mensurveis, que refletem a atividade do sistema nervoso autnomo, por exemplo, 
dilatao das pupilas, reduo na resistncia da pele, alteraes no ritmo cardaco, dilatao de 
vasos sangneos da testa e contrao dos vasos sangneos dos membros. 
3) Mudana nos padres eletroencefalogrficos, que caracterizam estados de alerta. 
A pesquisa de Bridger (1961), discutida a seguir, ilustra a utilizao de um tipo de resposta dentre os 
mencionados acima, na investigao da percepo auditiva: 
146 
Bridger utilizou, de maneira bastante engenhosa, uma medida de ritmo cardaco para estudar a 
percepo de altura do som em recm-nascidos. Depois de estabelecido que h uma acelerao 
cardaca depois que tons puros so apresentados ao beb (uma reao de orientao), o 
experimentador continuou a apresentar o som at que o ritmo cardaco voltasse ao normal 
(habituao). Apresentava ento um tom de freqncia diferente. Deste modo, poder-se-ia saber se 
o recm-nascido percebia o novo som como diferente (discriminao), pois se isto ocorresse haveria 
nova acelerao cardaca. Se o recm-nascido no percebesse a diferena, a acelerao cardaca 
no ocorreria. Neste estudo, Bridger encontrou um recm-nascido capaz de distinguir entre sons de 
200 a 250 ciclos por segundo. De qualquer forma, a acelerao cardaca observada na maioria dos 
recm-nascidos testados j por si s demonstra alguma capacidade auditiva. 
Outro experimento de grande importncia na rea da percepo auditiva em bebs novos  o do 
investigador tcheco Papousek (1967), que demonstrou que bebs de trs meses de idade podem 
discriminar entre dois sons diferentes, o de uma sineta e o de uma campainha. Ele usou um 
procedimento complexo, envolvendo condicionamento clssico e condicionamento operante. 
Primeiramente reforava a criana com leite (associado ao som da sineta) cada vez que o beb 
virava a cabea para a esquerda. Uma vez que esta resposta estava estabelecida, introduziu outro 
estmulo condicionado: o som de uma campainha. A campainha era pareada com o leite como 
reforo por virar a cabea para a direita. Atravs deste procedimento experimental, Papousek 
conseguiu treinar bebs a virarem a cabea para a esquerda quando ouvissem a sineta e virarem a 
cabea para a direita quando ouvissem o som da campainha, revelando assim capacidade de 
discriminar entre os dois sons. 
Outro experimento interessante, ainda na rea de percepo auditiva,  o de Wertheimer (1961) que 
tentou demonstrar a ocorrncia de alguma capacidade de localizao auditiva em um beb, 
apresentando um estmulo auditivo em vrias posies espaciais em relao  cabea do recm-
nascido. Verificou que este orientava os olhos em direo ao estmulo e que a percentagem de 
acertos foi bem alta. O beb nunca se orientou para a esquerda quando o estmulo fora apresentado 
 direita, levando Wertheimer a concluir que a noo de que ouvir primeiro na orelha direita 
significa que o estmulo est  direita 
147 
 (que os adultos possuem, conforme demonstraes experimentais) de certa forma faz parte do equipamento 
inato do sistema nervoso do beb. 
Em adultos, sabemos que  a diferena temporal que permite a localizao auditiva e que a magnitude dessa 
diferena temporal diminui  medida que o estmulo se aproxima da linha central do observador. 
E. Aronson (1969) investigou as respostas do beb a uma quebra da expectativa de que o som da pessoa que 
fala vem da boca da pessoa. Os bebs, de trs semanas de idade, eram sentados em frente  sua me, que 
falava o que lhe viesse  cabea. Depois de algum tempo, a voz da me foi deslocada, de forma que parecia vir 
de um ponto a um metro de distncia,  direita ou  esquerda de sua boca. (Isto foi possvel por meio do 
equipamento disponvel: o beb ficava dentro de uma cabine, atravs de cujo vidro via a me. Esta falava, 
tendo  frente um pequeno microfone. O som era transmitido ao beb inicial- mente atravs de alto-falante que 
dava a impresso correta da fonte da voz e depois atravs de alto-falantes  esquerda ou  direita). A reao 
dos bebs  descrita como de perturbao extrema quando o som  deslocado, indicando que j percebiam a 
associao entre a localizao do som e a localizao da boca. 
Estes e muitos outros estudos recentes tm fortalecido a posio nativista referente ao desenvolvimento da 
percepo auditiva, isto , o beb no precisa de muita aprendizagem para saber ouvir. 
2) PERCEPO VISUAL.  A rea de percepo visual  seguramente a mais desenvolvida, no sentido em 
que encontramos maior nmero e variedade de pesquisas publicadas sobre percepo visual do que sobre as 
demais modalidades sensoriais. 
Nesta rea tambm vemos a atualidade da controvrsia inatismo versus empiricismo, sendo que  medida 
que surgem os aperfeioamentos metodolgicos, cada vez mais a evidncia parece indicar que a capacidade de 
percepo visual do recm-nascido  muito maior do que se pensava h poucos anos atrs, fortalecendo assim 
a posio nativista. 
Apresentamos a seguir uma breve descrio e discusso de alguns experimentos mais 
representativos e interessantes que tm sido realizados sobre percepo visual nos primeiros meses 
de vida. 
Percepo de profundidade: Nesta rea destaca-se o tabalho de Eleanor Gibson e Richard D. 
Walk (1960). Estes investigadores engenhosamente criaram um aparelho, que tem sido chamado de 
penhasco visual (visual cliff), ilustrado na figura 20. 
O aparelho consiste de uma espcie de mesa com tampa de vidro transparente e inquebrvel. Nesta 
mesa h uma prancha central. De um dos lados da prancha h, logo abaixo do vidro, uma tbua 
pintada de padro xadrez (lado raso) e do outro lado da prancha a tbua de padro xadrez est 
colocada quase  altura do cho, dando assim a impresso de profundi dade (lado fundo). 
Vrios experimentos tm sido realizados, com vrias espcies animais, por Gibson e Walk e seus 
colaboradores, desde a publicao do artigo de Walk, Gibson e Tighe (1957). Nestes experimentos, 
o paradigma bsico consiste em colocar o animal, logo que  capaz de mover-se aps o nascimento, 
na pran Fig 
20  Representao esquematizada do penhasco visual utilizado por Gibson e Wa!k. 
148 
149 
cha central. A lgica  que se o animal caminha sobre o lado raso da mesa porm recusa-se a ir sobre o lado 
fundo, j  capaz de perceber profundidade. 
Animais de vrias espcies tm sido testados (pintos, gatos e at bodes) poucos segundos depois de nascer, 
ou depois de certo tempo, tendo sido criados no escuro e em muitas outras condies experimerdis. As 
seguintes concluses so apresentadas por Walk (1966), relativas a pesquisas com animais no penhasco 
visual: 
 A percepo de profundidade  inata em algumas espcies (pinto, rato). 
II  A percepo de profundidade precisa ser mantida atravs de estimulao luminosa em todas as espcies. 
III  O desenvolvimento da percepo em algumas espcies (gato, e at certo ponto o coelho) depende de 
uma interao entre fatores ambientais. 
As duas ltimas concluses baseiam-se em experimentos que revelaram que a resposta  profundidade no 
aparece no gato sem prtica prvia, como acontece no rato e no pinto. Animais criados com estimulao 
luminosa normal desenvolvem gradualmente as respostas  profundidade, enquanto que aqueles criados no 
escuro por quatro semanas, s ento recebendo estimulao luminosa, desenvolvem rapidamente a resposta 
de percepo de profundidade. No entraremos nos detalhes desses estudos, uma vez que o foco deste livro  
o desenvolvimento humano. Passamos, portanto, a examinar os estudos que tm sido feitos com bebs 
humanos no penhasco visual. Os primeiros estudos sobre isto foram feitos na Universidade de Cornell, por 
Walk e Gibson. O paradigma bsico consiste em colocar o beb na plataforma central e a me cham-lo de cada 
um dos lados, alternadamente, tentando que o beb engatinhe at ela, ora no lado raso, ora no lado fundo. 
Alm disso, Waik e Gibson realizaram muitas variantes desta situao, manipulando a altura do lado profundo, 
comparando o padro xadrez com um todo cinza, variando o tamanho dos quadrados pretos e brancos e 
comparando o desempenho de bebs de vrias idades (entre 8 meses e um ano). 
As concluses principais desses experimentos indicam que logo que j podem engatinhar e portanto ser 
testados no penhasco visual (mais ou menos 8 meses), os bebs j possuem percepo de profundidade, uma 
vez que a percentagem de be150 
bs que atravessa o lado fundo, no paradigma bsico, foi de apenas 9/o, enquanto que quase todos 
atravessam o lado raso em direo  me, com exceo de uns poucos que se recusaram a deixar a plataforma 
central. 
 importante ter em mente que este experimento no fornece evidncia conclusiva para a controvrsia 
nativismo ver- sus empiricismo, pois poder-se-ia argumentar que as experincias que o beb teve antes dos 
oito meses facilitariam a aprendizagem da percepo de profundidade. Resultados adicionais dos experimentos 
de Gibson e Walk indicam que embora os bebs humanos possam discriminar profundidade, logo que podem 
ser testados (aproximadamente 8 meses), seus mecanismos visuais ainda esto amadurecendo. Bebs de mais 
idade discriminam melhor do que bebs mais novos e discriminam melhor quando h um padro definido 
(xadrez) do que quando h um indefinido (cinza). 
Percepo de formas: Fantz  um dos psiclogos que mais se tem distinguido nos estudos de percepo 
visual em 
bebs. Ele usa caracteristicamente uma medida de fixao visual como medida de preferncia e ateno. Se um 
beb fixa mais tempo um estmulo do que outro, se prefere ou presta ateno mais a um estmulo do que outro, 
isso indica que  capaz de discriminar entre os dois estmulos. 
Fantz (1965) encontrou preferncias consistentes por estmulos que tm um padro definido sobre aqueles que 
no tm. Por exemplo, os bebs fixam mais tempo um estmulo tipo tabuleiro de xadrez do que um carto 
cinza e ainda fixam mais cartes-estmulo contendo listas verticais pretas e brancas do que cartes cinza. 
Baseado nisso, ocorreu a Fantz que apresentando uma srie graduada de cartes de listas de diversas larguras 
(fig. 21) comparados sempre a um carto cinza poderia testar a acuidade visual dos bebs. Isto , se o beb 
fixar mais o carto de listas do que o cinza  porque discrimina entre os dois estmulos. Quando as listas se 
tornam to estreitas que no so mais percebidas como listas pretas e brancas, mas sim como um todo cinza, o 
tempo de fixao entre os dois cartes no ser mais significantemente diferente. 
151 
14 
Fig. 21  Exemplos de pares de estmulos usados por Fantz. 
Usando esta tcnica, Fantz, Ordy e Uldelf (1962) verificaram que aos seis meses os bebs eram capazes de 
perceber estmulos contendo listas de 1/64 de polegada. Isto  comparvel a uma viso 20/70. No entanto, 
recm-nascidos e bebs de uma semana de vida revelaram menor acuidade visual distinguindo listas de 1/8 de 
polegada de largura a 10 polegadas de distncia. 
Fantz conclui que seus experimentos refutam a noo de que o recm-nascido apenas percebe massas vagas 
de claro e escuro. Ele acredita que, embora haja uma melhora contnua na percepo de formas,  medida que a 
criana cresce, h evidncia de que todas as partes do aparelho visual j funcionam at certo ponto, logo aps 
o nascimento. A preferncia do beb por estmulos que contm um padro pode ser considerada inata, pois 
nem a aprendizagem visual nem a motora teriam ainda ocorrido. Fantz, portanto, apia a posio nativista. 
Kagan et alii (1966) questionam o pressuposto bsico de Fantz, de que tempos de fixao equivalentes para 
dois estmulos implicam em ausncia de discriminao entre os estmulos. Sugerem que outras respostas, tais 
como o sorriso, a vocalizao, podero indicar discriminao. Procedendo nesta linha, realizou o seguinte 
experimento, para testar a hiptese de que padres faciais familiares  criana elicitariam fixaes longas e 
sorrisos freqentes, ao passo que alteraes moderadas de padres faciais familiares elicitariam fixaes 
longas mas um mnimo de sorrisos. Os sujeitos deste experimento foram 17 meninos e 17 meninas, de quatro 
meses de idade. O procedimento experimental consistia basicamente em apresentar ao beb 4 estmulos, que 
eram representaes em argila, de faces humanas, 
152 
pintadas de cor de pele. As quatro faces so: uma comum (normal), uma sem olhos, uma em 
branco e uma embaralhada com olhos, nariz e boca em lugares inapropriados. 
Os resultados indicaram que os sorrisos foram muito mais freqentes para a face comum do que 
para a embaralhada. Contudo, os escores de fixao foram praticamente os mesmos para essas 
duas faces. Se se tivesse utilizado como critrio apenas o tempo de fixao, como faz Fantz, 
concluir-se-ia erroneamente que os bebs eram incapazes de notar diferenas entre a face 
comum e a embaralhada. 
Em outro experimento, utilizando os mesmos quatro estmulos, porm usando desacelerao 
cardaca (diminuio no nmero de batimentos cardacos por minuto), como varivel dependente, 
indicativa de ateno, Kagan verificou que a desaceFerao cardaca ocorria mais marcadamente 
para a face comum do que para a embaralhada, com bebs de quatro meses, porm, com bebs 
de 8 meses, a desacelerao cardaca foi mais notvel diante da face embaralhada. Kagan 
explica seus resultados com a noo de esquemas emergentes, isto , a criana forma 
gradualmente esquemas ou representaes esquemticas dos padres visuais que ocorrem em 
seu ambiente. Quando um esquema est emergente, isto , na fronteira para ser assimilado, mas 
ainda no  um padro com que a criana est familiarizada demais, ele elicita o maior grau de 
ateno (refletido na desacelerao cardaca). Para o beb de 4 meses, a face comum seria um 
esquema emergente, enquanto que para o de 8 meses a face comum j est super- assimilada e a 
embaralhada  que constitui o esquema emergente; portanto, aos 8 meses,  a embaralhada que 
provoca maior desacelerao cardaca. (Note-se a semelhana dos conceitos de esquema e de 
assimilao em Kagan e em Piaget). 
Em um estudo intercultural, Finley, Kagan e Layne (1972) verificaram que tanto em crianas norte-
americanas (de (Massachusetts) quando em crianas ndias (da tribo Ticul, em Yucatan, Mxico) as 
crianas de um ano de idade prestam ateno durante mais tempo a estmulos normais do que aos 
distorcidos, mas as crianas de trs anos de ambas as culturas fixam durante mais tempo os 
estmulos distorcidos do que os normais. 
O trabalho de Kagan tem tido bastante aceitao, no apenas pela contribuio terica e pela 
verificao emprica des153 
sas noes tericas, mas tambm pela engenhosidade de sua metodologia. O uso da desacelerao 
cardaca como ndice de ateno tem sido adotado por vrios outros autores. 
Kagan salienta ainda a importncia de, principalmente em se tratando de estudos de percepo em 
crianas pequenas, levar-se em conta o fator ateno, pois, enquanto que em estudos com adultos 
pode-se controlar o fator ateno atravs de instrues dadas aos sujeitos, com crianas 
pequenas,  difcil saber se no manifestam uma resposta porque no percebem o estmulo ou 
porque no esto interessadas e no esto atentas. Da mesma forma, a curiosidade  outra 
varivel que deve ser levada em conta em estudos de percepo com crianas (Charlesworth, 
1964). 
Percepo de constncia de tamanho: Outro fenmeno que tem intrigado os psiclogos  o de 
constncia de tamanho. Este fenmeno refere-se ao fato de que sabemos avaliar o tamanho de 
um objeto, levando em conta a distncia a que estamos dele. Por exemplo, ao vermos pessoas 
caminhando na rua, do alto de um edifcio, no pensamos que sejam bonequinhos. Ser que esta 
habilidade  primordialmente inata ou aprendi da? 
Bower (1966) tentou responder a esta pergunta, com o seguinte experimento: primeiramente, bebs 
de seis a oito semanas foram submetidos a um processo de condicionamento operante, em que eram 
reforados positivamente por virar a cabea para um lado quando lhes era apresentado um 
determinado estmulo: um cubo de 30 cm de lado a uma distncia de 1 m. Foram ento treinados a 
virar a cabea na presena do cubo e a no vir-la na ausncia do cubo. Uma vez que esta 
discriminao estava perfeitamente estabelecida, foi apresentado aos bebs um cubo de 90 cm, a 
uma distncia de 3 m. O cubo grande, apresentado a uma distncia maior, deveria projetar uma 
imagem na retina do mesmo tamanho que o cubo pequeno, a uma distncia menor, de forma que a 
nica base para a discriminao seria a distncia. 
A lgica do experimento de Bower  a seguinte: se a percepo de constncia de tamanho 
precisasse ser aprendida, o beb responderia com a resposta condicionada de virar a cabea a 
estmulos que projetassem a mesma imagem na retina que aquele em que foram originalmente 
treinados, no sabendo 
154 
compensar levando em conta a distncia entre ele e o objeto. Deveria, assim, responder com o virar 
de cabea no s ao cubo pequeno, a 1 m de distncia (estmulo com que fora original- mente 
treinado), mas tambm ao cubo grande quando apresentado a 3 m (cuja imagem na retina seria igual 
 do estmulo original). No deveria responder com a resposta condicionada ao cubo se este fosse 
apresentado a.uma distncia de 3 m, pois, nesse caso, a imagem na retina seria menor do que a 
projetada na situao original. No entanto, se o beb no cometesse esses erros, mas respondesse 
com o virar de cabea apenas ao cubo pequeno, quer fosse apresentado a 1 m, quer a 3 m, estaria 
demonstrando ser inata a capacidade de percepo de constncia de tamanho. 
ciocnio. 
A figura 22 torna mais fcil a compreenso deste ra Mai 
recentemente, McKenzie, Tootell e Day (1980) encontraram evidncia de constncia de tamanho 
em bebs de seis a oito meses. Usando um procedimento de habituao, eles habituaram os bebs a 
um modelo estacionrio de cabea humana. Os testes variavam tanto o tamanho quanto a distncia. 
A constncia do tamanho parecia estar presente quando os objetos eram vistos de uma distncia de 
70 cm. Outros resultados de McKenzie e seus colaboradores sugerem que entre alguns bebs de 
quatro meses de idade, com menor varincia de resposta, a constncia de tamanho opera para 
objetos apresentados entre 30 e 60 cm. 
Os trabalhos citados de Bower, Fantz, Kagan, Bridger e outros, todos do evidncia, embora no se 
possa dizer que seja inequvoca, a favor da posio nativista, pois demonstram que bem cedo na 
vida, antes de ser provvel o efeito da aprendizagem, os bebs j so capazes de demonstrar 
capacidades perceptivas bem desenvolvidas. Os resultados indicaram que esses bebs de 6 a 8 
semanas de idade foram capazes de fazer a discriminao, isto , no viravam a cabea diante do 
cubo grande a 3 m de distncia, mas s a viravam diante do cubo pequeno, mesmo se este fosse 
apresentado a 3 m de distncia, o que produz uma imagem na retina menor do que a produzida na 
condio em que foram condicionados. Mais surpreendente ainda, os bebs foram capazes de fazer 
a discriminao mesmo com um olho fechado. No entanto, no conseguiram fazer a discriminao 
quando os estmulos eram apresentados sob forma 
155 
-IA 
de figuras bidimensionais, o que significa que nesta faixa de idade os bebs ainda no eram capazes 
de utilizar as pistas do pintor que esto presentes em figuras bidimensionais, isto , as maneiras 
que o pintor tem de dar a noo de profundidade e distncia, utilizando, sobretudo, o sombreado, a 
convergncia de linhas. Baseado nestes estudos, Jeffery (1970) questiona a posio de Piaget, 
colocando-o entre os que enfatizam demasiadamente o papel da estimulao ambiental para o 
desenvolvimento da percepo espacial, de profundidade, de perspectiva. Vimos que Piaget 
considera o papel da estimulao durante o 
Fig. 22  Constncia de tamanho (adaptado de Bower. Copyrigth, 1966, Scientific 
American mc. Todos os direitos reservados). 
perodo sensrio-motor como de grande importncia para o desenvolvimento dessas habilidades (captulo 4). 
O interessante nessa crtica  vermos que Piaget, essencialmente um interacionista, freqente e injustamente 
acusado de maturacionista,  aqui criticado por uma posio ambientalista. 
Percepo de forma em crianas mais velhas: Embora, atualmente, seja fora de dvida que bebs bem 
novos tm 
capacidade de discriminao de formas, capacidade essa que melhora com a experincia, h muitos pontos 
tericos impor- 
tantes a serem estudados com crianas um pouco mais velhas. Dentre estas questes, parece ser de 
especial interesse o problema todo versus parte. Tem sido aceito geralmente que a criana 
pequena percebe melhor o todo, s mais tarde passando a perceber detalhes e finalmente chegando 
a integrar detalhes em um todo coerente. Esta noo apia-se bastante nos trabalhos de Heinz 
Werner (1940). Vrios estudos com o teste de Rorschach demonstraram que at aproximadamente 
6 anos h uma predominncia de respostas baseadas na percepo indiferenciada do todo. Este tipo 
de resposta declina gradualmente, cedendo lugar a respostas baseadas em detalhes pequenos e 
finalmente a respostas que tentam unificar os detalhes em um todo coerente (Hemmendinger, 1953). 
Reese e Lipsitt (1970) argumentam porm que os estmulos do Rorschach no correspondem a 
nenhum objeto conhecido da criana (nem do adulto), pois so meros borres e citam o trabalho de 
Dworetski (1939) que, reconhecendo este problema, focalizaram a questo de maneira diferente, 
construindo figuras-estmulo compostas de diversas partes no-ambguas (com significado), as quais 
no conjunto compunham um todo tambm significativo. Uma das figuras, por exemplo, era composta 
de vrios cachorros arranjados de tal maneira que o conjunto poderia levar  percepo de uma 
cadeira (fig. 23). 
Diante desses estmulos, crianas de trs a cinco anos respondem predominantemente ao todo.  
medida que este tipo de 
Fig. 23  Estmulos usados por Dworetski. 
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ESTMULO 
CONDICIONADO 
ESTMULOS DO TESTE 
TAMANHO REAL fj 
: 
DISTNCIA REAL 1 
3 1 
3 
TAMANHO NAA 


resposta diminui, aumentam as respostas s partes individuais, mas depois isto ocorre junto com um 
reconhecimento do todo. No entanto, em estudo semelhante, Elkind, Koegler e Go (1964), achando que as 
figuras usadas por Dworetski tornavam difcil o reconhecimento das partes isoladas, construram estmulos 
que tornavam salientes as partes isoladas (figura 24). Neste caso, as crianas mais novas viam mais detalhes 
do que o todo. Estes resultados contraditrios indicam pelo menos que a percepo de todo ou partes 
depende at certo ponto da natureza dos estmulos usados. 
Fig. 24  Estimulos usados por EIkind et alii. 
Esta questo  de grande importncia para um campo aplicado, o da alfabetizao, em que ainda h uma 
controvrsia a respeito dos mtodos de ensino. Segundo Reese e Lipsitt 
(1970): 
Durante muitos anos, professores de alfabetizao usaram o mtodo global, dirigindo a ateno da criana 
para a configurao total da palavra, por exemplo, beb e o nome era associado a essa configurao 
total geralmente usando-se como intermedirio uma figura. Este mtodo era baseado na premissa de que  
natural para a criana reagir a tais configuraes e no a letras isoladamente. Uma confiana no 
justificada neste mtodo tem freqentemente resultado em hbitos inadequados de leitura; isto no  
surpreendente porque uma nfase na forma global da pala- 
vra provavelmente significa dificuldades em diferenciar pato de bato, carro de corro, etc. As 
deficincias do mtodo global obviamente no provam a validade da argumentao proposta por seus 
oponentes (Flesch, 1955) a favor de seu mtodo, o fnico, no qual a criana analisa cada palavra quanto 
aos sons das letras que a compem (p. 369). 
Reese e Lipsitt (1970) prosseguem discutindo as dificuldades do mtodo fnico aplicada  lngua inglesa, que 
no  fontica, isto , onde as letras nem sempre tm o mesmo som. Estas dificuldades no nos interessam 
aqui, porm levantam o problema gravssimo de se adotarem resultados de teorias e pesquisas fora do contexto 
cultural em que foram desenvolvidas. Podemos especular mesmo que talvez para a lngua inglesa, que no  
fontica, o mtodo global seja superior ao fnico, mas que para a alfabetizao em lngua portuguesa, que  
fontica, tavez o fnico seja mais adequado ou eficiente. 
Novaes (1968) realizou pesquisa com 250 crianas brasileiras de 6 a 8 anos e constatou que o nvel de 
segregao perceptiva, ou seja, a capacidade de discriminar formas, sinais e volumes e de reconhec-los em 
fundo confuso tem influncia no processo de alfabetizao, havendo nveis evolutivos de segregao 
relacionados a estgios de aglutinao, de fragmentao at a criana chegar a um satisfatrio ndice de 
segregao. Elaborou bateria de testes de organizao percepto-motora para prognstico escolar, 
estabelecendo indicadores das possveis dificuldades dos alunos com os diversos mtodos de alfabetizao, 
uma vez que a aprendizagem da leitura e da escrita depende, alm de complexidade e variedade de fatores da 
maturidade intelectual e perceptiva do aluno e das suas caractersticas individuais, o que implica em dizer que 
nem sempre um mtodo de alfabetizao  adequado, apesar de bom para determinado aluno. 
Gustao: Esta tambm  uma modalidade sensorial bastante difcil de ser estudada com o recm-nascido, 
devido a 
dificuldades em se interferir com os hbitos alimentares do beb e devido s dificuldades de se obter uma 
varivel dependente que possa ser medida adequadamente. Em geral tm-se usado respostas mimticas, isto , 
expresses faciais do beb, como indicativas de reao a estmulos gustativos, mas estas expresses faciais 
so difceis de registrar e quantificar. A varivel que ainda parece mais promissora para estudos dessa 
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natureza  padres de suco, j utilizada por Kai Jensen em 1932. No mesmo estudo, cujos resultados a 
respeito de temperatura citamos acima, Jensen verificou diferenas em padres de suco em resposta a 
diversos estmulos gustativos. Por exemplo, houve diferenas no padro de suco em resposta a um aumento 
de sal (2 a 9/o de sal por volume), em comparao com a soluo controle (leite a 40C). A diferena no 
ocorreu usando-se solues doces ou cidas. 
Olfao: Sabemos que os estmulos olfativos so constitudos por molculas de lquidos e slidos volteis 
que flutuam e so sopradas ou inspiradas para dentro da cavidade nasal e estimulam os receptores sensoriais 
olfativos. Os recm- nascidos respiram desde a hora do nascimento, portanto expem os receptores  
estimulao. No entanto, as dificuldades de pesquisa a respeito da capacidade discriminativa entre dois odores 
so grandes, pelas mesmas razes que ocorrem na rea da gustao, ou seja, a dificuldade de se registrar e 
quantificar a varivel dependente, sendo que expresses faciais so o que geralmente tem sido usado para 
indicar a reao ao estmulo olfativo. Apesar dessas dificuldades, encontramos os seguintes estudos: Lipsitt, 
Kaye e Enger (1963) demonstraram que a sensibilidade ao estmulo asaftida aumenta durante os quatro 
primeiros dias de vida. Em outros estudos, Lipsitt e De Lucia (1960) registraram, atravs de um polgrafo, a 
atividade e a respirao dos recm-nascidos, em resposta a diversos odores, e juntamente com o estudo de 
Engen, Lipsitt e Kaye (1963) deram forte indicao de que o recm-nascido possui capacidade discriminativa 
entre diversos pares de odores. 
Somestesia (presso, dor, calor e frio): Esta modalidade sensorial pouco tem sido investigada em recm-
nascidos. 
A presso, o tato e a dor so sensaes difceis para o adulto separar (por exemplo, a sensao de um aperto 
de mo muito forte). No recm-nascido a dificuldade de discriminao obviamente  maior ainda. Achamos 
interessante mencionar, sobre a sensibilidade  dor, o trabalho de Lipsitt e Levy (1959) que encontraram um 
aumento de sensibilidade a choque eltrico em funo da idade, nos primeiros cinco dias de vida. Lipsitt e 
Levy encontraram diferenas de sexo, sendo as meninas mais sensveis que os meninos. Estmulos eltricos 
foram usados pelos pesquisadores por causa do alto grau de controle possvel sobre a fonte estimuladora. A 
varivel dependente foi retirada 
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do p. Confirmaram seus resultados tanto com amostras longitudinais como com amostras 
transversais. 
Quanto  sensibilidade trmica, sabemos que embora no esteja em sua eficincia mxima no 
recm-nascido, a regulao trmica atinge um nvel estvel por volta de uma semana e meia de vida, 
com pequenos ajustamentos de menor importncia desenvolvendo-se posteriormente (Adamson e 
Towel 1, 1965; Bruck, 1961). Com exceo do primeiro dia de vida, o beb  capaz de realizar 
mudanas compensatrias apropriadas na taxa de metabolismo basal, em resposta a mudanas de 
temperatura no ambiente. 
Jensen (1932) verificou que alimentar a criana com leite quente demais (aproximadamente acima 
de 50C) e frio demais (aproximadamente abaixo de 20C) produz diferenas no ritmo de suco. 
Sabemos tambm que vrios reflexos so elicitados por mudanas bruscas de temperatura. Por 
exemplo, o beb atira a cabea para trs quando um estmulo frio ou quente  aplicado sobre sua 
testa (Lipsitt e Reese, 1970). 
Em concluso, podemos dizer que o campo do desenvolvimento perceptivo apresenta ainda muitos 
fenmenos a serem explorados. Se na rea de percepo visual e auditiva, onde j encontramos 
grande quantidade de pesquisas, vimos que h controvrsias e interrogaes, o que dizer das outras 
modalidades perceptivas? A percepo ttil seria de grande interesse para a compreenso de 
fenmenos no campo do desenvolvimento emocional, dada a importncia atribuda por vrios 
tericos ao contacto fsico entre a me e o beb (Harlow, Bowlby, Spitz) e muitos outros. No 
entanto, muito pouco se tem estudado a respeito do desenvolvimento da percepo ttil. Muito pouco 
se conhece tambm a respeito do desenvoMmento da percepo de gosto, o que deveria ser de 
utilidade para a compreenso da atuao dos reforadores primrios (alimento e bebida) to 
enfatizados nas teorias da aprendizagem. 
O desenvolvimento da percepo , portanto, uma rea que nos parece de grande importncia e que 
possui aspectos ainda insuficientemente explorados. 
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